
Das minhas dores mais longas,
desbagoarei os gomos,
pra atender à fome dos cães.
Meu olhar sem escamas,
e a senha de teu corpo,
pode levar ou esquecer:
não me cabe guardar inocências.
As fraquezas, inclusive
meu choro de homem
e aquela noite, era outubro,
serão minhas, no inventário.
As demais miudezas: lençóis,
projetos inacabados, risos,
guardemos, nos inúteis da memória.
Do que sou, ao fim,
serei sempre, exílio.